Um ensinamento oral sob a forma de uma conferência dada pelo Mestre Zen sobre a sua compreensão de um aspecto do Dharma.
O Teisho (提唱) distingue-se do Kusen — transmitido durante o Zazen — por ser mais desenvolvido: pode comentar um texto clássico, um koan, um sutra, ou abordar um tema da prática com profundidade. Ouvir um Teisho é já prática.
Os ensinamentos que se seguem são excertos de Teisho do Mestre Yves Shoshin Crettaz.
Videoconferência · Abril 2020 · Mestre Yves Shoshin Crettaz
O Buda ensinava que a voz e os sons no dojo devem ter cinco qualidades: Shojiki (sincero) — som autêntico, sem afectação; Waga (suave) — gentil, sem perturbar; Seitetsu (penetrante) — delicado mas claro e distinto; Shinman (profundo) — som que preenche todo o espaço; Enbun (ressonante) — som que pode ser ouvido ao longe.
Estas qualidades não se aplicam apenas à música ou ao canto dos sutras. São a descrição de qualquer acção justa no dojo — e fora dele. Sincero, suave, penetrante, profundo, ressonante: é a vibração certa. Os instrumentos devem ser tocados no momento exacto, com o ritmo correcto, em harmonia com os outros participantes.
Retiro de Verão · Seikyuji, 2007 · Mestre Yves Shoshin Crettaz
Durante um ango de três meses no Templo da Gendronnière, aprendi rituais, cantos, terminologia japonesa. Com o tempo, os detalhes específicos apagam-se — mas o essencial permanece: é preciso abandonar-se, esquecer-se nestes gestos.
Ao longo das semanas, os participantes foram naturalmente sincronizando os movimentos, o espaçamento, o ritmo — não por cálculo consciente, mas por refinamento subtil. O ango não é praticar individualmente em grupo. É aprender a viver juntos em harmonia.
Quando Dogen perguntou ao seu Mestre Nyojo qual era o coração do ensinamento, este respondeu simplesmente: "É ser doce consigo e ser doce com os outros."
Mestre Yves Shoshin Crettaz
A postura no Zazen não é uma questão estética. Não sentamos direitos porque fica bem, ou porque é "correcto". Sentamos direitos porque a postura justa é a expressão exterior de um interior que não se dobra, que não cede, que não foge.
Quando a coluna está erecta, quando as mãos repousam em Hokkaijoin, quando os olhos estão meio fechados e apontam para baixo — não há espaço para a fuga. Não há para onde ir. Estamos aqui, completamente aqui. Isso é o Zazen.
Mestre Yves Shoshin Crettaz
O Samu — o trabalho meditativo — não é uma pausa da prática. É a prática continuada na acção. Quando varremos o dojo, quando lavamos os pratos, quando chegamos ao trabalho de manhã: a atenção que cultivamos no zafu não é para ficar no zafu.
O Zen não é uma experiência especial que acontece durante trinta minutos de manhã. É uma forma de ser em tudo. O Samu lembra-nos disso.