Parábolas breves que apontam para além das palavras. Não para serem analisadas — para serem sentidas.
Nan-in, um mestre Zen japonês, recebeu um professor universitário que foi estudar Zen. Nan-in serviu chá. Encheu a chávena do visitante e continuou a verter.
O professor olhava para o transbordamento até não poder conter-se mais: "Está cheia. Já não cabe mais!"
"Como esta chávena", disse Nan-in, "você está cheio das suas próprias opiniões e especulações. Como posso mostrar-lhe o Zen a menos que primeiro esvazie a sua chávena?"
Um monge perguntou ao mestre: "O que é o Buda?"
O mestre apontou para a lua.
"Não confundas o dedo com a lua", disse o mestre. "O dedo aponta para a lua, mas não é a lua. As palavras apontam para a realidade, mas não são a realidade. Quando vês o dedo, já não vês a lua."
Dois monges disputavam qual deles seria o próximo mestre. O primeiro escreveu num mural: "O espelho é como a mente clara. Devemos polir constantemente para que o pó não se acumule."
O segundo monge — que mal sabia ler — ouviu o poema e ditou a um escriba: "Originalmente não há espelho. Onde pode o pó acumular-se?"
O mestre leu ambos, apagou o primeiro e transmitiu o ensinamento ao segundo.
Um monge disse ao mestre Zhaozhou: "Há muito que ouço falar da famosa ponte de pedra de Zhaozhou. Mas quando aqui cheguei só vi um simples passadiço de madeira."
Zhaozhou disse: "Só vês o passadiço de madeira. Não vês a ponte de pedra."
"Onde está então a ponte de pedra?" perguntou o monge.
"Permite que os burros passem. Permite que os cavalos passem", respondeu Zhaozhou.
Um estudante perguntou ao mestre: "O que é o Zen antes da iluminação?"
"Cortar lenha. Carregar água", respondeu o mestre.
"E depois da iluminação?"
"Cortar lenha. Carregar água."
Um monge perguntou a Mazu: "O que é o Buda?"
Mazu respondeu: "A mente é o Buda."
Anos depois, outro monge fez a mesma pergunta.
Mazu respondeu: "Nem mente, nem Buda."
O primeiro monge, ao saber disso, ficou confuso. Foi ter com Mazu: "Mas antes disse que a mente é o Buda!"
Mazu sorriu: "Para curar o choro de uma criança, mostro-lhe uma folha amarela e digo que é ouro. Quando ela para de chorar, a folha não é mais ouro. Quando você estava pronto, disse o que era necessário. Agora está pronto para ouvir outra coisa."