Quase trinta anos de prática contínua em Lisboa.
Em 1997, Raphaël Doko Triet fundou o Dojo Zen de Lisboa na Rua Luciano Cordeiro, no Marquês de Pombal. Foi o primeiro dojo Soto Zen permanente em Portugal, estabelecido numa época em que a meditação budista era ainda pouco conhecida no país.
O nome Ryumonji — 龍門寺 — significa "Templo da Porta do Dragão", evocando a imagem da carpa que sobe a cascata para se transformar em dragão: o esforço constante, a determinação e a transformação que a prática Zen propõe.
Doko Triet foi discípulo de Taïsen Deshimaru Roshi, o monge japonês que introduziu o Soto Zen na Europa ocidental nos anos 1970. Deshimaru chegou a Paris em 1967 e nos anos seguintes percorreu a Europa fundando dojos e transmitindo o ensinamento com uma energia e uma acessibilidade raras.
Quando Deshimaru faleceu em 1982, deixou uma comunidade europeia de praticantes que continuaram a sua obra. O Ryumonji de Lisboa insere-se directamente nessa continuidade.
Ao longo dos anos, o Ryumonji foi crescendo lentamente — como deve crescer um dojo Zen: sem pressa, sem publicidade, por recomendação de praticante em praticante. A prática diária nunca parou. Nos dias mais frios do inverno, nos meses de verão, nos anos de pandemia: o dojo abriu as suas portas e o Zazen aconteceu.
O dojo mantém relações de fraternidade com dojos da Associação Zen Internacional, nomeadamente com o Seikyuji, em França, onde são realizados retiros anuais.
O Ryumonji é hoje dirigido pelo Mestre Yves Shoshin Crettaz, que continua a prática e a transmissão iniciadas por Doko Triet. O dojo mantém seis sessões semanais de Zazen, abertas a todos, e organiza ao longo do ano eventos, dias de prática intensa e sessões de iniciação.
Quase trinta anos depois da fundação, o que permanece é o essencial: um espaço de silêncio, uma comunidade de praticantes, e a prática do Zazen — exactamente como foi transmitida há mil anos.
Termos como roshi, shiho, sangha, sesshin e dojo têm entrada detalhada no Glossário Zen.