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O que é o Zen?

Uma introdução à tradição Zen Budista, à escola Soto e ao que acontece quando nos sentamos em silêncio.

Uma forma de viver

O Mestre Seido Suzuki disse simplesmente: "Zen é uma forma de viver." Uma forma de viver liberta dos três venenos: a ignorância, a ganância e a cólera. Não é uma doutrina a adoptar — é uma prática a encarnar, em cada gesto, em cada momento.

O Mestre Deshimaru ensinava que "arrumar a vassoura é praticar Zen". O Zen não reserva um tempo especial para a espiritualidade: a atenção que se cultiva no zafu transborda para a vida inteira.

Zen — 禅

A palavra Zen é a pronúncia japonesa de Chan, que por sua vez deriva do sânscrito Dhyana — meditação, absorção silenciosa. O Zen é, antes de mais, uma prática: a meditação sentada como via directa para o despertar.

A prática do Zazen remonta a 2600 anos, a Siddharta Gautama — o Buda Shakyamuni — que atingiu o despertar enquanto meditava sob a árvore Bodhi. Esta prática transmitiu-se de Mestre a discípulo, sem interrupção, durante mais de dois milénios. Chegou à China, onde floresceu. Chegou ao Japão no século XIII. Chegou à Europa no século XX.

A escola Soto

Dentro do Zen, existem várias escolas. O Ryumonji pertence à escola Soto (曹洞宗), fundada na China por Dongshan Liangjie e levada ao Japão no século XIII por Eihei Dogen.

Dogen é a figura central do Soto Zen japonês. O seu ensinamento central é o shikantaza — "apenas sentar". Para Dogen, a prática do Zazen não é um meio para atingir o despertar: é, ela própria, a expressão do despertar. Sentar como um Buda é ser Buda.

Esta distinção é fundamental: no Soto Zen, não se medita para algo. Senta-se, completamente, sem objectivo. A prática e a realização são a mesma coisa.

Zen na Europa

O Soto Zen chegou à Europa ocidental sobretudo através de Taïsen Deshimaru Roshi (1914–1982), discípulo de Kodo Sawaki. Deshimaru chegou a Paris em 1967 com uma missão: a semente do Zen havia sido plantada na Índia, a árvore crescera na China, dera fruto no Japão — era hora de os frutos chegarem ao Ocidente.

Nos anos seguintes percorreu a Europa fundando dojos e formando dezenas de discípulos. Quando faleceu em 1982, deixou uma comunidade viva que continuou a sua obra. O Ryumonji insere-se directamente nesta linhagem — a prática que acontece em Lisboa é a mesma que foi transmitida de Mestre a discípulo durante mais de mil anos.

Zen não é uma religião

O Zen tem raízes no Budismo, mas a sua prática não exige qualquer conversão religiosa, crença prévia ou afiliação. Muitos praticantes do Ryumonji são cristãos, agnósticos ou simplesmente pessoas que querem sentar em silêncio.

Ao mesmo tempo, o Zen não é uma simples técnica de relaxamento. É uma tradição espiritual exigente, com uma ética, uma disciplina e uma visão do ser humano profundamente elaboradas. O que o Zen pede é directo: sentar, respirar, estar presente. O resto revela-se na prática.

Glossário Zen

Alguns termos usados nestas páginas — shikantaza, satori, bodhisattva, dharma, sangha — têm entrada detalhada no Glossário Zen.

"Zen é uma forma de viver liberta dos três venenos:
a ignorância, a ganância e a cólera."

Mestre Seido Suzuki

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