Os Shigu Seigan Mon — Os Quatro Grandes Votos — são a expressão mais condensada do ideal Mahayana. São cantados no final de cada sessão de Zazen, como renovação do compromisso fundamental da prática.
Os quatro votos são paradoxalmente impossíveis: salvar todos os seres sensíveis (que são inumeráveis), cortar todas as ilusões (que são inexauríveis), aprender todos os ensinamentos do Dharma (que são ilimitados), e realizar o Caminho do Buda (que é supremo). A sua impossibilidade é precisamente o seu poder: não são objectivos a atingir, mas a orientação permanente de quem pratica.
O Bodhisattva é aquele que adia o Nirvana final até que todos os seres estejam libertos. Os Quatro Votos são o seu coração.
Shigu Seigan Mon
Shujō muhen seigan do
Bonnō mujin seigan dan
Hōmon muryō seigan gaku
Butsudō mujō seigan jō
Os seres sensíveis são inumeráveis — faço voto de os salvar a todos.
As ilusões são inexauríveis — faço voto de as cortar a todas.
Os ensinamentos do Dharma são ilimitados — faço voto de os aprender todos.
O Caminho do Buda é supremo — faço voto de o realizar plenamente.
Cada voto é cantado três vezes no final da sessão. A repetição não é redundância — é aprofundamento. Na primeira vez, pronunciamos as palavras. Na segunda, deixamo-las ressoar. Na terceira, tornamo-nos o voto.
O primeiro voto — salvar todos os seres — não é uma ambição de grandeza. É o reconhecimento de que a nossa prática não é separada da prática de todos os seres. O Zazen de um praticante beneficia todos os seres, visíveis e invisíveis.