O Sandōkai — A Identidade do Relativo e do Absoluto, ou A Harmonia entre a Diferença e a Igualdade — foi composto pelo Mestre Sekito Kisen (Shítóu Xīqiān, 700–790) na China do século VIII. É um dos textos poéticos mais profundos da tradição Zen.
O título combina três caracteres: san (diferença, multiplicidade), dō (identidade, igualdade), kai (harmonia, acordo). O poema medita sobre a relação entre o particular e o universal, o fenómeno e o absoluto, a forma e o vazio — mostrando que são inseparáveis, como luz e sombra.
Cantado em cerimónias matinais e em sesshin.
Sandōkai
Chiku tō gen chō ge
Hō kō gen ko dō
Jin shi go rō mu
Dō ze fu dō ze
Hyaku so ko su bi
Ri zu nai ji ji
Ryū ka yu shō shō
Shin chū ko bi bi
Shi gen shi shiki
Sō on bō ko mei
Ro chi gen ji ki
Jō shin hi u sei
Shi ko gen dai chi
Shi ko gen dai chi
Shi kon moto fu dō
Ryō gen go sō tō
Mei an ka go ai
Mei an ka go ai
Ze ko ko ju ji
Fu ku ko ju ji
Dō no fu shōjō
Nichi nichi ko shi ni
Joku zu ki jo bai
Sui sha gyō gi ji
San dō nai tori
Chi mei ko ge bu
Shin o ji ki man
Shin o ji ki man
Ze ko shū go tei
Ko in mo ra zu
Nō ron ko ze hi
Richi ni fu sō to
Mon mon i chi i
Ji ji ni sai chi
Ji ji ni sai chi
Dō shu nai go ai
O espírito do Grande Sábio da Índia foi transmitido de perto e de longe tanto pelo Oriente como pelo Ocidente. As faculdades humanas têm raízes agudas e embotadas, mas no Caminho não há patriarcas do norte ou do sul.
A fonte espiritual brilha clara nas águas da luz; os ramos tributários florescem no escuro. Apegar-se às coisas é ilusão; encontrar o absoluto não é iluminação.
Todos os objectos dos sentidos interagem e ainda assim não interagem; quando interagem, mantêm cada um o seu lugar. A forma torna os sentidos e os seus objectos vívidos; os sons acalmam e iluminam a mente.
O escuro e a luz se opõem, como o pé da frente e o pé de trás ao caminhar. Cada coisa tem o seu mérito intrínseco, expresso de acordo com a função e o lugar. As coisas existem, objecto e sujeito se vêem um ao outro.
Usa a linguagem para as coisas, usa a linguagem para o Caminho; as palavras erradas não se encaixam. A porta grande está aberta para conceder a caridade. Segue o fluxo, percebe a fonte, recebe e usa as coisas.
No Caminho não há norte nem sul — as montanhas impetuosas têm as suas estações. Procura a iluminação a partir dos factos; o dia sagrado sempre continua.
Sekito Kisen (Shítóu Xīqiān), séc. VIII