O Hōkyōzanmai — O Samadhi do Espelho Precioso — foi composto pelo Mestre Tozan Ryokai (Dòngshān Liángjiè, 807–869), co-fundador da escola Soto na China. É um dos textos doutrinais mais importantes de toda a tradição Soto Zen.
O "espelho precioso" é a consciência pura do Zazen: uma presença que reflecte tudo sem distorção, sem preferência, sem rejeição. Não é um espelho físico — é a natureza da mente quando desperta. O poema descreve a experiência desta consciência e como ela se manifesta na prática.
Cantado em cerimónias e sesshin.
Hōkyōzanmai
Nyoze no hō
Butsu so mitsuni fu
Nanjō shi u
Kyō no ima u
Nyoze ryōki
Yo sono uchi ni oru
Yo sono uchi ni oru
Kanashimu beshi aware mu beshi
Kin wa kin to nara zu
Kure wa kure to nara zu
Shin mu to shi te
Fū ka fu go
Gu shin bun betsu
Shin i ku setsu
Chiko ku nin
Moku in in
Ryo ki no gotoshi
Nichi getsu no gotoshi
Chi ze ho shin
Kotsu ze kū shin
Kyō wa mu kyo
Tai ga ru i
Tō u fu tō
I in no i
Ko me sha ku
No shi shin in
Kai sa no gotoshi
Sen shi no gotoshi
San kai u jo
Roku do mu nan
Mu gen i gen
Mu shi i shi
Ni ji no kokon
Shu i ko shin
San kan i kan
Go aku i go
Assim é este Dharma — transmitido secretamente de Buda a Buda, dos patriarcas aos patriarcas. Agora o tens: mantém-no bem.
É como um espelho de prata que reflecte uma imagem: tu és isso, e isso és tu. É como um bebé no mundo — cinco aspectos completos; não vai nem vem, não se levanta nem fica.
Tatatata — a gaguez do bebé; nada chegou, nada saiu. É como as seis linhas do hexagrama Chen: o que é relativo e o que é absoluto interagem, mas não se misturam.
Perguntas e respostas um ao outro; o dependente e o absoluto interagem. Compreende os princípios, abraça a iluminação; não cries distinções por conta própria.
Naturalmente real como uma grande paz, não um estado de inércia. Se não entendes, não é por falta de clareza — é como tocar o nariz no escuro às três da manhã.
Tozan Ryokai (Dòngshān Liángjiè), séc. IX