O Gyōhatsu Nenju é recitado durante as refeições em retiros e sesshin. No dojo, transforma o acto de comer numa prática consciente de gratidão e interdependência.
Antes de comer, os praticantes recitam este verso, reconhecendo os incontáveis seres — humanos, animais, plantas — cujo trabalho e vida tornaram possível este alimento. A refeição não começa sem este reconhecimento.
Na tradição Zen, comer é tão sagrado quanto sentar em Zazen. O Samu — o trabalho meditativo que inclui cozinhar e lavar — e o Gyōhatsu Nenju formam juntos a prática da consciência em acção.
Gyōhatsu Nenju
Jōshin ze butsudō
Nyaku ken shokku
Fuku shu oku ji
Hotsu bodaishi
Ten ryō nin za
Shi on gu tai
Jo ji san bō
Issai kifu
Purificar a mente é o Caminho do Buda.
Ao receber este alimento,
Que todos os seres se lembrem de fazer
O voto de despertar.
Aceitamos este alimento
Em gratidão pelas quatro graças.
Que a prática continue
Em benefício de todos os seres.
As "quatro graças" (shi on) referidas no texto são: a graça dos pais, que nos deram vida; a graça dos seres sensíveis, que sustentam a nossa existência; a graça do soberano (hoje: da sociedade), que garante as condições para a prática; e a graça dos Três Tesouros — Buda, Dharma e Sangha.